PLANTA SÍMBOLO

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PLANTA SÍMBOLO 2017-07-17T10:48:10+00:00

PLANTA SÍMBOLO

Mauritia flexuosa L.f. – ARECACEAE. Foto: Paulo Robson de Souza

Ao analisar o nome Mauritia flexuosa, podemos ter importantes informações sobre a espécie símbolo do 69° Congresso Nacional de Botânica. Mauritia é uma homenagem ao Conde Maurício de Nassau, governador da Província de Pernambuco, e flexuosa evidencia o arranjo e disposição dos frutos em seus cachos – flexuoso – alternando-se em vários sentidos. Esta espécie possui ampla distribuição no território nacional, sobretudo nos domínios de Cerrado e na Amazônia. No Estado de Mato Grosso sua ocorrência é abundante.

Conhecida popularmente como “buriti” ou “miriri”, esta palmeira arbórea destaca-se pela beleza e imponência, podendo alcançar incríveis 30m de altura. Você sabia que tem planta feminina e masculina? Os buritis necessitam de água em movimento para oxigenar suas raízes e ocorrem em ambientes alagados e brejosos em várias formações vegetacionais, mas é encontrada frequentemente nas veredas, uma importante fitofisionomia do Cerrado. Guimarães Rosa já havia descrito isso em seu “Grande Sertão Veredas” ao narrar: “buriti quer todo o azul, mas não se aparta de sua água. Carece de espelho”.

Quando esses ambientes são alterados pela ação antrópica (represamento ou assoreamento), o buriti morre e formam-se grandes paliteiros, ocorre a completa desestruturação desses ecossistemas e consequente perda da biodiversidade.

Como o tema do CNBot 2018 aborda a sociobiodiversidade, o buriti configura-se como a espécie ideal, pois as atividades com artesanatos e ornamentações fazem-se valer da beleza desta planta, podendo ser utilizado para diversos fins, como: construções e coberturas de casas, móveis, a seda das folhas é utilizada na confecção de artesanatos diversos, como tapetes, esteiras, chapéus e cordas. Na culinária, o buriti é utilizado na fabricação de doces, geleias, sucos e sorvetes. A polpa do fruto é rica em vitaminas A e C e tem um alto valor energético. Suas sementes são espalhadas, principalmente, pela arara-canindé, que também faz ninhos nos buritis mortos. Pode ser utilizada, ainda, como espécie ornamental por apresentar uma beleza cênica inquestionável.

Considerando o alto valor do buriti, tanto ambiental quanto econômico, é importante que órgãos ambientais, comunidade científica e populações que dependem dessa espécie para sua subsistência adotem um papel responsável no intuito de proteger não só o buriti, mas todos os ambientes a ele associados, garantindo a manutenção das nascentes e dos estoques de água limpa.

 

Texto: Suzana Neves Moreira, Vali Joana Pott & Arnildo Pott